Que tal uma refeição pensada e preparada para a merenda escolar com plantas aromáticas e condimentos, composta ainda de alimentos orgânicos cultivados por famílias de pequenos agricultores familiares? Foi com esse objetivo que professores, gestores de escolas públicas e nutricionistas participaram do 3º Encontro de Plantas Aromáticas e Condimentares na Alimentação Escolar, promovido pelo Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), vinculado à Universidade estadual de Maringá (UEM), realizado em 25 de setembro, no Auditório Ney Marques.
Com realização do Mudi e o apoio institucional do Programa ‘Plante e colha saúde’ do Sustentec de Itaipu Binacional, docentes, agricultores e especialistas em produção e nutrição, entre outros profissionais, discutiram os benefícios de uma alimentação natural e com impacto na saúde emocional dos alunos.
“Nesta terceira edição do Encontro, proposto pelo programa de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PICS), abordamos as plantas aromáticas e condimentares para melhoria de vida, através da alimentação, dos integrantes da comunidade escolar. E essa melhoria vem da utilização das plantas medicinais e deixarmos de utilizar a alopatia”, destaca o coordenador do Mudi, professor da UEM, Celso Ivam Conegero.
Segundo o professor, as plantas aromáticas e condimentares podem ser consumidas das mais diferentes formas e têm impacto na saúde emocional. “Inclusive, tivemos no coffee break exemplos de alimentos na forma de chás, pães, sucos, xaropes, cremes, produzidos com os princípios ativos das plantas na Aromaterapia e nas receitas, que é algo maravilhoso e que todo mundo adora. Foi fantástico”, reforça.

Com o tema “Pequenas sementes, grandes mudanças: o sabor da transformação está na escola”, o 3º Encontro promoveu um dia de aprendizado, troca de experiências e diálogo sobre a inserção dessas plantas na alimentação escolar.
Pela manhã, o pós-doutor Euclides Lara Cardozo Junior falou em sua palestra sobre a importância dos compostos bioativos na manutenção da saúde. Na sequência, foi a vez da doutora Natália Marques, que tratou dos benefícios à saúde ao manter uma alimentação natural, orgânica e composta por plantas aromáticas e condimentares.
A servidora da Saúde da prefeitura municipal de Maringá, Graziela Rossato, que trabalha na UBS Pinheiros, afirma que gostou da experiência sensorial degustativa: “Foi muito importante sentir a presença dos aromas, das especiarias, e ver que isso é muito importante também para a área da saúde. São tantos os benefícios quando se pensa em plantas medicinais”.
No final do período, o engenheiro ambiental Marcos Carvalho, gestor do projeto de Plantas Medicinais da Itaipu, visitou o Horto de Plantas Medicinais do Mudi, que está em fase de reestruturação, acompanhado de Conegero. “Nós estamos ampliando o nosso Horto e com a visita do Marcos já ficou estabelecida uma parceria com Itaipu Binacional. Ao ser formalizada, todas as mudas que serão necessárias para a implementação e a ampliação do nosso Jardim de Plantas Medicinais serão fornecidas por Itaipu”, adiantou o coordenador do Museu.
No período da tarde, a nutricionista Maria Angélica Strapazon, integrante do projeto do Sustentec, reforçou os motivos para se incluir na alimentação escolar as plantas aromáticas. “São espécies que dão sabor e cor, como folhas, raízes, sementes e cascas. Elas contêm compostos voláteis e bioativos que podem ser usados na culinária e na prevenção de doenças”, explicou a Maria Angélica.
Para a nutricionista, usar as plantas aromáticas e condimentares representa um resgate histórico. “As plantas medicinais fazem parte das nossas raízes, que a gente aprendeu com os avós, com os nossos pais e que foi se perdendo para a questão dos consumos de ultraprocessados e industrializados. Agora, a gente volta a resgatar a importância e o consumo dessas plantas”, salientou.
Parceria entre escolas e cooperativas
No contexto da importância da inclusão na merenda escolar de alimentos orgânicos, Elizabete Lima da Costa Borges participou do 3º Encontro na UEM para estreitar relações com os municípios próximos à Maringá e região. Como presidente da Cooperativa dos Produtores Familiares de Paiçandu (Coprofap), localizada no noroeste do Paraná, ela reforçou o papel dos agricultores familiares.
“É muito importante a gente estar próximo do município, das nutricionistas, das escolas, para que a gente consiga fazer essa relação produtor e alimentação escolar. Às vezes, não se tem o entendimento de quanto cada país pode estar consumindo da agricultura familiar, que na verdade é o mínimo, é 45%”, esclareceu Elizabete.




