A exposição ‘Entre patas, asas e antenas. Mas afinal, o que é um inseto?’, realizada pelo Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), vinculado à Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Parque do Ingá, trouxe um toque a mais ao evento ‘Maringá Encantada: Natureza Gigante’. Durante 30 dias, entre 25 de setembro e 25 de outubro, aproximadamente 10 mil pessoas passaram pelo Salão Verde do parque.
A biodiversidade e a importância ecológica dos pequenos animais ganharam destaque na cidade, proporcionando uma rara oportunidade para o público mergulhar no fascinante universo dos artrópodes, animais invertebrados que formam o maior e mais diversificado grupo do reino animal, para compreender o papel vital que desempenham no equilíbrio dos ecossistemas.
E mais: além de ver réplicas gigantes de insetos e aracnídeos, os visitantes puderam conhecer as amostras reais e a dimensão científica e acadêmica dos insetos que integram o Acervo Entomológico Yoko Terada, em exposição permanente no Mudi.
A realização da mostra é resultado da parceria entre o Mudi/UEM, o Instituto Ambiental de Maringá (IAM) e a Associação dos Amigos do Mudi (Amudi) com a prefeitura de Maringá, para divulgação da ciência e conscientização para a natureza que nos cerca e precisamos proteger.

Para o coordenador do Mudi, professor Celso Ivam Conegero, o sucesso da exposição se deve ao compromisso e dedicação da equipe de trabalho. “Foi uma longa exposição que demonstrou que temos competência e vocação para a itinerância, através do Muditinerante, um dos projetos que mais mobiliza e que leva para mais pessoas a ciência que está exposta aqui na sede do Museu”, enfatiza o coordenador.
Oportunidade
Com 40 anos de atividade, o Museu universitário de ciências recebeu em outubro o Prêmio Pop Ciência 2026 concedido pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) na categoria “Espaços Científicos-Culturais”. Em 2025, o Museu ficou entre os 10 museus mais visitados do Brasil, após levantamento do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
“Acredito que sermos agraciados com essas certificações é reflexo de todo o trabalho que nós realizamos. Por isso, vamos continuar fazendo mais e melhor, pois estamos no caminho certo”, afirmou Conegero.
Curadoria
A curadoria da exposição no Parque do Ingá ficou a cargo de João Kuller, doutorando e coordenador dos Mentores do Mudi, com a participação de Giovana Emanuele Derio de Lemos, Bolsista Técnica de Nível Superior (BTNS) da Rede de Museus Paraná Faz Ciência.

“O maior desafio da curadoria para pensar a exposição foi a questão de entender como construir dentro de um espaço, que não é o nosso, uma comunicação com um público diverso dos visitantes que vão ao Mudi e que já estamos acostumados”, conta Kuller. A solução foi conversar com o pessoal do evento e conhecer as peças que eles levariam e aí construir a curadoria a partir dos animais gigantes, como estratégia de escolha das partes do acervo para a exposição.
Na primeira parte da exposição, o foco foi trabalhar especificamente o que é um inseto, através de painéis informativos. “Assim, que visitou o Salão Verde saiu de lá sabendo para o que é o inseto, mesmo que não em sua completude, mas pelo menos o básico de que ele precisa ter três pares de pernas, duas antenas, um par de antenas, tem que ter o corpo segmentado em três partes”, explica Kuller.
Já na segunda parte da sala, o público de diversas idades conheceu as inúmeras espécies de pequenos insetos da coleção Yoko Terada, como formigas, besouros, borboletas, mariposas, vespas, abelhas, louva-a-deus, entre outras espécies da nossa biodiversidade.

De acordo com o coordenador de mentores do Mudi, foi uma experiência muito enriquecedora, tanto para o Museu quanto para o Parque do Ingá. “A gente entendeu os lugares em que podemos estar e como é possível contribuir com a sociedade de uma maneira diferente daquilo que já estamos fazendo ao longo dos anos”, finalizou Kuller.
A participação do Mudi na Primavera Encantada também significou a reabertura do Salão Verde do parque do Ingá, que estava fechado há algum tempo. O Instituto Ambiental de Maringá, responsável pela administração do espaço, já pensa em fortalecer a parceria com o Museu e outros espaços científicos-culturais para ajudar na divulgação e popularização da ciência.



